Total de visualizações de página

sábado, 7 de abril de 2012

O GÊNERO TEXTUAL CONTOS DE FADAS


Os gêneros textuais são diversos, é cada um deles possui uma essência. Trabalhar com a imaginação das crianças e o anseio de responder a alguns dilemas que trazem uma discussão moral, como: o medo, a alegria, a angústia, as perdas, entre outros. Neste capítulo o foco será o gênero Contos de Fadas.
Os Contos de Fadas são de origem celta. Os celtas apareceram constituídos como povo, no sudoeste da Alemanha, de onde migraram para a Gália, Península Ibérica e Ilhas Britânicas. Os contos surgiram como poemas que relatavam amores estranhos, eternos, essencialmente idealistas e ligados a valores eternos do ser humano. Tais valores permaneceram sendo recontados principalmente por Jacob e Wilhelm Grimm, (alemães), Charles Perraul (francês) e Hans Cristian Andersen (dinamarquês).
Nesse contexto, observa-se algumas publicações desses autores, citadas por Costa (2003):
·         Em 1697, Charles Perrault publicou os oito contos da Mamãe Gansa e assim nascia a Literatura Infantil, conhecida como clássica. Em suas obras o maravilhoso ocupa lugar bem modesto e as fadas são singularmente raras. Sua originalidade reside na presença das paisagens francesas, suas campinas e sua atmosfera, em que se movem aldeões, damas e cavaleiros. Seus personagens geralmente eram os modelos que os rodeavam: amigos, vizinhos, os trabalhadores do campo etc;

·         Na Alemanha, os irmãos Grimm publicaram os contos de fada entre 1812 e 1822. Dentre seus principais contos publicados, encontram-se Joãozinho e Maria, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel, entre outros não menos importantes;

·         Na Dinamarca, Hans Christian Andersen publicou entre 1835 e 1872 muitos outros contos infantis, e ele é considerado o patrono mundial da literatura infantil, porque criou os primeiros contos voltados ao público infantil, como por exemplo: Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Menina dos Fósforos, O Patinho Feio.

 As histórias apresentadas nos contos sempre apresentam uma problemática existencial. Sua estrutura é baseada no seguinte contexto: o início, o herói ou heroína vai a um lugar diferente, marcado por acontecimentos que dão destaque à história além das criaturas mágicas e estranhas; o encontro, a presença de uma madrasta, uma bruxa ou um feiticeiro; a conquista, o triste fim do personagem mal e a celebração, vitória do bem e todos vivem felizes para sempre.
Essa estrutura expressa os obstáculos, ou provas, que precisam ser vencidas, para que o herói alcance sua auto-realização existencial, a superação dos conflitos, seja pelo encontro do seu verdadeiro “eu” ou pelo encontro da princesa que representa o ideal a ser alcançado.
Coelho (1998) esclarece que os Contos de Fadas podem ou não contar com a presença de fadas, sem, contudo, deixar de apresentar questões mágicas, e reis, rainhas, príncipes, princesas, bruxas, gigantes, anões, dentre outros. Um outro aspecto muito marcante diz respeito à possibilidade de apresentar sempre um tempo ou espaço indeterminados, fora da realidade conhecida; incluem-se, aqui, os enredos iniciais de muitas histórias como “Era uma vez......”.
Para Góes (1991) os personagens são outra característica marcante da estrutura dos contos de fadas. Observa-se o que diz a autora:

Em geral, são poucas e apresentando grande unidade; às vezes crianças, outras jovens em idade de casar. Podem proceder de uma cabana muito pobre ou de um faustoso palácio encantado. Sua origem, as características que as distinguem, o modo com atuam são sempre extremamente exageradas. Ou são excessivamente boas ou medrosas, belas ou tragicamente feias, ou perversas ou covardes, ou valentes e nobres; ou são anõezinhos, ou gigantes, bruxas ou princesas, reis disfarçados de mendigos ou mendigos convertidos em reis e cavaleiros (1991, p.116).

Compreende-se que as funções dos personagens representam as partes fundamentais de um conto, sendo limitadas e com uma sucessão sempre idênticas. Propp (1983) define função como “a ação de uma personagem definida do ponto de vista de seu significado no desenrolar da intriga”.
Essas funções se dividem entre os personagens da história e cada um recebe sua respectiva ação seqüencial:

Podemos chamar conto maravilhoso, do ponto de vista morfológico, a qualquer desenrolar de ação que parte de uma malfeitoria ou de uma falta, e que passa por funções intermediárias para ir acabar em casamento ou em outras funções utilizadas como desfecho. A função limite pode ser a recompensa, alcançar o objeto desejado ou, de uma maneira geral, a reparação da malfeitoria, o socorro e a salvação durante a perseguição, etc. Chamamos a este desenrolar de ação uma seqüência. Cada nova malfeitoria ou prejuízo, cada nova falta dá lugar a uma nova seqüência. Um conto pode ter várias seqüências, e quando se analisa um texto, é necessário em primeiro lugar determinar de quantas seqüências este se compõe (PROPP, 1983, p. 144).

Os Contos de Fadas são um gênero textual com uma narrativa de “forma simples”, resultante de uma criação espontânea, ou seja, diferentes dos romances medievais, que apresentam uma forma artística elaborada. Observa-se o que diz Coelho (2000, p. 164-165), quanto ao que são consideradas formas simples:
Determinadas narrativas que, há milênios, surgiram anonimamente e passaram a circular entre os povos da Antiguidade, transformando-se com o tempo no que hoje conhecemos como tradição popular. De terra em terra, de região a região, foram sendo levadas por contadores de histórias, peregrinos, viajantes, povos emigrantes, etc., até que acabaram por ser absorvidas por diferentes povos e, atualmente, representam fator comum entre as diferentes tradições folclóricas.
No entanto, até os dias de hoje os contos encantam todas as gerações. “Os tempos mudam incessantemente, porém a natureza humana permanece a mesma” (COELHO, 2000).
Este gênero é tradicionalmente usado na prática escolar, mas cabe ao educador usá-lo a fim de favorecer o desenvolvimento moral das crianças da Educação Infantil. O gênero é de fácil compreensão, pois traz uma linguagem simples e direta, além de permitir a memorização das crianças por meio dos nomes dos personagens, que serão eternamente lembrados por elas, por serem nomes mágicos e outra característica é a presença de palavras mágicas que formam uma imagem visual, que aguçam a imaginação das crianças pequenas. “A metamorfose das personagens, a magia, o encanto, o uso de talismãs e a força do destino são também constantes neste gênero”. (JOLLES, 1993).
Existem os Contos de Fadas clássicos, os mais exuberantes e conhecidos que passam de geração para geração. Esses contos também apresentam a mesma narrativa, o herói ou heroína passam por dificuldades antes de triunfar contra o mal e até o tão esperado final feliz. Os personagens são marcados por suas qualidades físicas ou morais que são bem nítidas e facilitam a compreensão da história para as crianças.
As histórias falam de moralidade e de virtude como parte central da natureza humana, não como algo para se ter, mas para ser, a coisa mais importante que se pode ser. Através da leitura dos Contos de Fadas pode-se colocar a imaginação das crianças pequenas, em tempo e espaço indeterminados, onde há a presença das expressões do tipo: “era uma vez”, “há muito tempo”, “num certo dia” e “num lugar distante”.
Essas histórias, ainda, ajudam o educador entender o desenvolvimento da moralidade infantil, dando oportunidade para que as crianças entrem num mundo de princípios e virtudes, ajudando-as a compreender algumas qualidades essenciais à formação ética de cidadãos.
São vários os valores apresentados nessas histórias e que são necessários para a formação moral de qualquer indivíduo, ou seja, neles encontramos valores essenciais para a convivência humana. Compreende-se que não nascemos com esta visão moralista, é preciso aprendê-la. Pode-se aprender e apreciar esta visão por meio das histórias.
Para evidenciar a importância dos Contos de Fadas na construção da moralidade infantil, observa-se o artigo “A importância dos contos de fadas no desenvolvimento infantil” de Dias (2005), que descreve a experiência realizada com 24 alunos da educação infantil de uma escola municipal.
A autora selecionou algumas histórias infantis, mas priorizou a história que seus alunos mais apreciavam: “Os três porquinhos”. Trabalhou de diferentes maneiras com seus alunos. Ao final da pesquisa, a autora averiguou que o trabalho com as histórias infantis traz vários benefícios para o desenvolvimento das crianças pequenas como, por exemplo, a elaboração de conceitos, a resolução de conflitos, o desenvolvimento da imaginação e criatividade, dentre outros.
Com isso, é possível visualizar que o trabalho com os Contos de Fadas pode favorecer o desenvolvimento das crianças se os professores estiverem preparados e, principalmente se o compreendem e utilizam procedimentos educativos mais adequados.
No próximo capítulo, veremos algumas maneiras que podem ajudar o educador na utilização dos Contos de Fadas na rotina da Educação Infantil, em virtude do fortalecimento dos valores morais dos pequenos.


3 comentários:

  1. Parabéns pelo Blog!!! Conteúdo muito legal para o estudo de gêneros textuais.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É mesmo dá um ensino bom para a criança !!

      Excluir
  2. Olá Lívia, você poderia postar as referência usadas neste trabalho, gostaria muito de consultá-las. Obrigada.

    ResponderExcluir